A vida que eu queria tomar conta
Queria acordar cansada numa segunda-feira de tanta diversão do final de semana. Preparar o café pro início de uma semana corrida, levar o café na cama e tentar te acordar no meio de tanta preguiça. Te fazer perder a hora por desistir e resolver me juntar a você debaixo dos lençóis. Então, acordaria num susto com você se vestindo, já, meio atrasado, mas feliz da vida por me ver dormir sorrindo.
Levantaria, com certeza, pra verificar se a roupa tava limpinha, cheirosa e sem pêlos. Mesmo com tudo certo ainda teria algo a arrumar. Te levaria na porta, nem que fosse só a do quarto, daria um beijo demorado acompanhando de um cheiro pra que seu dia tivesse gosto de quero mais. Só então, com sua vida em ordem, o meu dia começaria…
Olharia em volta e reconheceria cada peça escolhida e desejada por nós. Lembranças de gargalhadas dentro de lojas de casa e palestras e mais palestras suas sobre como tal coisa ficaria melhor que a outra, sabedoria herdada da mãe arquiteta.
No final dos dias de semana, te esperaria com um lanche com “cara da sua vó”: bolo, nescau, suco, ovo mexido e pão. Pra gente sentar e contar da correria do dia, do contrato renovado, do cliente satisfeito, das novidades das famílias de longe e, claro, das contas a pagar. Com o último gole do café viria uma vontade louca de aproveitar a casa, ficando no sofá entre uma leitura e outra ao som de uma trilha sonora que você escolheria tão bem. Ou até mesmo de zapear entre seriados enquanto eu, provavelmente, dormiria no seu colo.
Nos finais de semana a gente acordaria sempre tarde, naquela promessa que sábado de manhã é o “dia do meu marido” e seria tão bom levantar com borboletas no estômago, também, cheio de fome. Nos dias de muita fome optaríamos pelo restaurante perto da nossa casa, nos outros por um almoço a quatro mãos. Acho que os primeiros não seriam tão gostosos, mas o tempo e a prática mudariam isso.
Gastaríamos tempo juntos, mesmo que separados, rodopiando pela cidade, revendo queridos, conhecendo lugares… Nos dias de frio, desejaríamos sofá, edredom e DVD. Ou nos dedicaríamos a nossa leitura individual, as bobagens da TV, sabendo que o outro está a distância de um olhar.
Nas noites, o sono ia chegar e nos levar pra cama e iria embora no mesmo instante que a conchinha se formasse. E então, né, obviamente, a gente ia aproveitar o tempo sem sono pra explorar cada uma das nossas delícias e dormir feliz pra mais um novo dia.
*Esse era o editado que estava publicado no luvluvluv.
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